Category Archives: Amor

Um post encomendado

Música do post:

Um dia daqueles. Madrugada mal dormida, insônia, fluxo menstrual intenso, e até uma cólica que nunca apareceu resolveu dar as caras. Ingrata surpresa. Mais um dia cinza meio frio meio quente em São Paulo, compromissos cancelados na primeira hora dos olhos semi abertos. “Adoraria, mas hoje não vai rolar. Preciso ficar quietinha.”

A solitude faz bem a ela. A casa limpa e semi organizada, com alguns traços de “já tem alguns dias que a faxineira veio”. A cortina entreaberta deixando passar pouca luz, a colcha de retalhos da cama amarrotada, os travesseiros mais confortáveis do que nunca. As fotos coladas na porta do armário fazendo questão de lembrar o que realmente importa. Ao lado das fotos, estão colados os postais enviados do mundo inteiro fazendo questão de marcar os sonhos que estão por se realizar. O livro iniciado há dois dias com suas quarenta e poucas páginas lidas ao lado da cama, junto com uma caixa de bombons finos ganhados no aniversário semana passada. O porta incenso com as cinzas de alguma erva cidreira queimada no dia anterior. As plantinhas ainda respirando. Tudo em seu devido lugar. Tudo certo, tudo em paz. Como sempre deveria ter sido. Ela sabe quanta coisa teve que acontecer pra chegar a esse ponto. “Dankon, Universo. Por tudo de ruim que já passou consigo valorizar o bom de hoje. Continuo confiando em seus caminhos. Mesmo que não pareçam os melhores para mim naquele momento, sei que são os caminhos que vão me levar onde tenho que estar e sei que apenas o melhor está reservado para mim. Confio em você, dankon, Universo.”

Assiste a um filme bom comendo panetone com sorvete de flocos (hoje vale tudo, sem sofrimento e sem neura, muito obrigada e foda-se) e se emociona. Se emociona com o moço ruivo do filme que ama tão lindamente a mesma mulher e após certo esforço para conseguir conquistá-la, constrói uma vida com ela, filhos e muito amor. Mesmo tendo a capacidade de voltar no tempo e fazer as coisas diferentes, ele escolhe não voltar mais para poder viver dia após dia construindo essa rotina simples ao lado da família, valorizando os pequenos momentos cotidianos recheados de simplicidade. Como não se emocionar com a moral dessa história? Afinal, não é exatamente isso que ela tem pensado ultimamente? A vida nada mais é do que a maravilha de encontrar o sentido em cada momento. E a melhor maneira de encontrar o sentido da vida, ela tem pensado, é viver ao lado das pessoas que ama.

Já de madrugada, bem tarde, ainda sentindo dores abdominais e andando feito uma pata choca pela casa, eis que: trim! Trim! Trim! Esse é o barulho do interfone. O sorriso veio inevitável ouvindo a voz do porteiro falando o nome dele errado pela milésima vez. De camisa social e gravata combinando com os olhos, exausto depois de milhões e intermináveis horas extras, ele chegou quase se arrastando. Veio de encontro ao abraço que lhe esperava e tudo ficou ainda mais certo. Os 5 ou 60 minutos seguintes passaram voando, e ela desejou ter a capacidade de voltar no tempo apenas para ter mais tempo. Mas não mudaria nada. Ela percebe que cabe mais um naquela solitude. Solitude a dois, naquele momento vale. Ele combina com a colcha de retalhos, com os travesseiros, com a cortina. Ele combina com ela, com o que realmente importa, com os sonhos que estão por se realizar.

Como não se emocionar com a moral dessa história? Afinal, não é exatamente isso o que ela sempre quis? Estar em paz consigo mesma, com as coisas, com a vida, e ainda poder somar todo o bem estar com alguém que a ama tão lindamente…

questão de tempo

-Escreve uma coisa bem linda, tá? Amanhã quando eu acordar eu leio.

- Vamos ver o que sai. Se sai.


Possessiva

Meu amor,

Se te chamo de meu amor, não é porque te considero meu. É que de todos os que passaram, com você é que virou amor. Amor que eu sinto e que por isso é meu. Se você é o amor e o amor é meu… Virou sinônimo.

possessiva


Remedinho

Você sabe que encontrou o amor da sua vida quando depois de um dia inteiro de dor de cabeça, 2 Neosaldinas, café, massagem, quarto escuro e tudo mais… a sua dor-de-cabeça-insuportável-só-curável-com-um-bom-remedinho-de-hospital-na-veia simplesmente vai embora quando você deita no peito dele por incontáveis 30 minutos.

:)


Cotidiano fofo – Parte III

Uma noite qualquer de um dia de semana qualquer. Chovendo muito, fazendo muito frio. Estamos voltando do ensaio ou algo assim. Descemos no metrô Consolação lá na Paulista e vamos descendo para a Frei Caneca apertados debaixo do mesmo guarda chuva, disputando o espaço também com as mochilas pesadas que levamos nas costas.

Paramos no supermercado da esquina de casa para comprinhas básicas, comprinhas básicas que encheram muitas sacolas e esvaziaram as carteiras. Saímos sob a chuva apressados, atravessando a rua entre os carros em direção ao prédio que está do outro lado. Não faço ideia de qual era o assunto naquela hora, naquele dia, mas não poderia jamais me esquecer dessa parte:

- Você é um suspiro.

- Ãhn?

- É, um suspiro. Porque você é branquinha que nem suspiro, é doce que nem suspiro e eu suspiro ahhhhh…

E aquela não é mais uma noite qualquer. Ahhhhh…


Cotidiano fofo – Parte II

Música do post (leia ouvindo!):

Domingo à noite, ela em casa, ainda de pijama desde sábado à noite. Está resfriada, com garganta inflamada e cabelo sujo de mousse para modelar de ontem. Ele está em Chapecó, num hotel frio, debaixo das cobertas vendo qualquer filme de super herói na televisão.

Se falam pelo Skype. Ela no notebook em cima da cama e ele no Iphone. A imagem é péssima e o som falha de tempos em tempos, mas a saudade é tanta que eles insistem em manter a conversa assim mesmo, caindo de 5 em 5 minutos e se perguntando a cada instante se o outro ouviu ou se a conexão travou.

O papo é sobre ciúmes e blábláblá. Uma reflexão profunda sobre comportamento do ser humano nesses tipos de casos, uma análise psicológica e técnica das situações.

Ela: Ah, mas eu sou muito feliz de ser a sua escolha.

Ele: Você não é a minha escolha.

Ela: Não?

Ele: Não. A minha escolha é a Scarlett Johansson, mas… Sabe como é, ela não me dá muita bola, parou de responder às minhas DM’s, então eu desisti.

Ela (rindo): Ah, sei, entendo…

Ele: Mas não fui eu que escolhi você. Você é a escolha que Deus fez pra mim, então é muito maior do que qualquer outra escolha. Vale muito mais do que qualquer Scarlett Johansson, entendeu? Porque eu te amo…

Ela se derrete e até sara do resfriado, sentindo o coração quentinho bater mais rápido de tanto amor.

Scarlett, querida, fica assim não. Ele não é pra você. Beijo, amiga!


Quando o tempo…

Música do post (leia ouvindo!!!)

Quando o tempo que eu conto é o tempo em que estamos distantes um do outro, porque se arrasta como um caracol e a ansiedade me faz pensar o tempo todo quanto tempo ainda falta para estarmos perto outra vez.

Quando o tempo quando estamos juntos parece não ter hora, não ter limite. Segundos, minutos, horas, dias, um mês quase inteiro, é sempre o primeiro e o último momento que temos para estarmos ali e só ali.

Quando o tempo de duração da nossa relação é muito relativo diante da profundidade que tem.

Quando o tempo compartilhado me faz sorrir por dentro como quando eu era criança, o início do meu tempo.

Quando o tempo que eu pretendo ficar assim é maior que todo o tempo que eu consigo imaginar para a minha vida, o tempo da maturidade, da transformação, o fim dos tempos.

Quando o tempo passar e as coisas mudarem, quero que esse tempo de agora nos venha à cabeça e a gente mude tudo de novo. Para que tenhamos mais tempo.

Quando todos os tempos me fazem ter a certeza de que valeu a pena esperar tanto tempo. E de que não importa quanto tempo resta, quanto tempo temos.

Quando o meu tempo não é mais meu. É nosso.

E eu sabia que quando esse tempo chegasse, meu amor não seria mais meu. É seu.


Cotidiano fofo

Quarta feira à noite. Ela tem dor de cabeça e está espatifada no sofá cedido por ele que assiste deitado no tapete o jogo do Corinthians. Os dedos se entrelaçam e fazem carinhos,  e eles trocam de quando em quando comentários de qualquer coisa que aconteceu durante o dia. Ela trabalhou fora e ele ficou em casa fazendo faxina. Diálogo irônico:

- Ela me reconheceu pelas nossas fotos no facebook. Fica olhando seu facebook, a vaca, reparando nas fota tuda.

- Sim minha filha, eu sou um partidão né, fazer o quê, a mulherada cai em cima mesmo!

- Aaaaai, eu sou mesmo uma sortuda por ser sua namorada.

- No nosso caso não foi sorte.

- Ah não?

Ele fala sério e indiferente, olhando para a TV:

- Foi amor.

- Owwwwwwwwwnnnnnnnnn, tá vendo porque eu sou uma sortuda?

E amassa ele e enche ele de beijos.


Poeminha besta de amor

Começar é sempre difícil
Assim como uma só poesia feita com várias inspirações
Mas agora já temos um início
E eu tenho aqui algumas recordações
 
Quando te conheci era tudo diferente
Gordo, de bigodes, tinha namorada
Alguma coisa me cutucou dentro da mente
Mas a possibilidade foi rapidamente bloqueada
 
Meses e meses depois muita coisa aconteceu
Não digo que foi culpa minha
Esse menino emagreceu
E meu coração ele já tinha
 
Ele lá e eu aqui
São Paulo Belo Horizonte
Um fim de ano incrível em Superagui
Estamos juntos não importa o onde
 
Skype e zazaps são a salvação
Quem disse que pra estar junto precisa estar perto?
É incrível nossa conexão
Meu coração está sempre aberto
 
Encontrei o meu príncipe encantado
E eu sou a princesa Jasmim
Ele é mais que meu namorado
Nem acredito que ele gosta de mim
 
Quando a gente se encontra o mundo pode acabar
Traçamos juntos todo o nosso futuro
Pra SP eu vou me mudar
Não vai demorar muito, eu juro
 
Quando chega a hora da gente se despedir
Aí é que o bicho pega
O choro eu tenho que engolir
Porque despedida com choro tende a ser brega
 
Nunca em minha vida tive alguém como ele é
Que me beija me abraça me dá o maior tesão
Além de tudo me faz massagem no pé
Cuida de tudo, até da minha alimentação
 
Chocolate, doritos, miojo e coca
Molhinho amarelo de comer com picanha
Yakissoba, yogoberry e uma boa pipoca
Depois de comer, um tapete e manha
 
Me leva pra passear e me faz companhia
Compartilha comigo o cotidiano
Nas medianeras traz luz ao meu dia
Não tenho mais dúvidas, é ele que eu amo
 
Livraria Cultura, loja cara do bairro e Liberdade
Os mesmos gostos, vontade de comprar tudo
Os gastos sem poder ficam na intimidade
Economizar é difícil, nisso eu não mudo 
 
Fotos presentes velas e som
O mundo assim é tão mais colorido
Vivo acordada num sonho bom
Esse menino vai ser meu marido
 
No Iphone aleatório só as melhores canções
Um show da Banda Mais Bonita e um verso do Emicida
Embalam nosso sono e nossas relações
Marcam hoje e o resto da nossa vida
 
Café da manhã na cama
Artimanhas pra eu fazer cocô
E ainda diz que me ama
Ele é o meu amô
 
Chamo ele de lindo
Coisa ridícula, trem fuçado e marmota
Quando vejo ele vindo
Fico besta, uma completa idiota
 
Teria que escrever aqui mais mil versos pra dizer
O quanto eu sou feliz de ter você ao meu lado
E só tenho a agradecer
Por você ser meu namorado!!
 
 

O sexto sentido

Música do post: Norah Jones – All your love (Leia ouvindo!)

Gozaram. Lençóis embolados e úmidos que o colchão não conseguiu segurar. Travesseiros e roupas jogados ao redor da cama.

Ele se deita de bruços, nu, a cabeça virada para a direita. Ela sopra devagar as gotinhas de suor de suas costas, fazendo-o arrepiar. Então ela se deita por cima dele, na mesma posição. Sua orelha vai de encontro à bochecha dele, os seios se apertam contra as costas ainda suadas. O cabelo molhado e embaraçado é jogado para o outro lado. Os pés se entrelaçam e não se sabe mais qual é de quem.

Ele então adormece… e ela fica ali, eternizando aquele momento na memória para nunca mais esquecer. Com em todos os sentidos.

…quente, úmido, macio. Corpos suados unidos, num encaixe perfeito. As peles brancas com marcas vermelhas se tocando, se confundindo, trocando intimidade e cumplicidade.

…laranja. A única luz que entra pela porta é a de um abajur que está no corredor, misturando-se com a pouca luz das velas que estão na cabeceira da cama. Uma penumbra ideal. A parede, os quadros, as paisagens, o braço dele, os pêlos descansando, as sardinhas que ela tanto ama. Uma a uma.

…o gosto dele. Gosto do beijo, da saliva, do suor. Sede amarga e doce dentro da boca seca.

…o cheiro dele. Sexo, perfume, suor, velas aromáticas. Ele respira fundo, e pelo subir e descer de suas costas em contato com a barriga dela, ela força sua respiração para se juntar com a dele. Ele expira soltando o ar pelo nariz e logo ela inspira para sentir o cheiro quente e doce de sua respiração.

…o Iphone está programado para tocar as músicas aleatoriamente. Às vezes a trilha não faz nenhum sentido com o momento, toca de Jennifer Lopez a Fall Out Boy, passando por trilhas perfeitas que poderiam durar a vida toda.

…o amor que ela sente por ele e por cada detalhe da cena que se desenha em sua frente. A leve impressão com a certeza de que tudo está certo e em seu devido lugar.

Ela então fecha os olhos e dorme um real sonho bom.


Despedida

Não gosto de despedidas“, dizem os mais insensíveis. E de maneira fria e seca, dão aqueles tapinhas nas costas de quem está partindo ou ficando, viram as costas rapidamente e vão embora. Pra casa ou pra vida.

Não gosto de despedidas“, digo eu, o poço de sensibilidade. E de maneira sofrida, abraço forte e olho nos olhos de quem está partindo. Me faço de forte, limpo as lágrimas daqueles olhos cor de folha seca e peço pra não chorar. Consolo, são só 11 dias. Vejo ele entrar no ônibus, viro as costas rapidamente e pego minhas coisas que estão no chão. Atravesso a rua e entro no primeiro táxi que vejo, me sento no banco de trás e só aí consigo olhar pelo vidro traseiro. As janelas do ônibus da conexão aeroporto são todas pretas, e eu agradeço a mim mesma por não ter ficado na calçada vendo o ônibus ir embora sem conseguir ver o rosto se afastando. Seria meio ridículo, na verdade.

O táxi vira à direita e eu perco o ônibus de vista. Meu peito se enche de um ar pesado, denso, uma nuvem preta de tempestade entre o pescoço e a barriga. E choro. Quando não tem mais ninguém pra limpar as minhas lágrimas e pedir pra não chorar ou consolar dizendo que são só 11 dias. Por mais coincidência que possa parecer, a música que o taxista ouve é um sertanejo que fala algo sobre perdi o chão, saudade, num sei o quê mais. A letra vem, faz todo o sentido e some dos meus ouvidos e da minha atenção, que dá lugar à imagem de quem partiu.

Partida é a palavra ideal pra quem vai embora. Realmente parte. Parte o coração de quem fica, e me deixa com a sensação de que estou sem um pedaço. Me falta um pedaço. E a cidade que parecia tão linda e tão outra cidade, volta ao cinza que sempre é. Por mais coincidência que possa parecer, o taxista olha para o céu, cinza, e comenta: será que você chega em casa antes de cair essa chuva?

Mas eu já chovia.


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